Percurso Lisboa – Alentejo – Algarve ao ar livre e com boa companhia

Foi com espírito aberto e com muito boa disposição que iniciámos a nossa aventura a bordo de um BMW 118d cabrio providenciado gentilmente pela Avis que nos fizemos à estrada que nos levava ao primeiro destino de um itinerário que nos tinha deixado com água na boca e um brilho no olhar.

O objectivo foi verificar se um jovem casal poderia dar uma escapadela de 3 dias, percorrendo o quente e delicioso Litoral ao Centro Alentejano para finalizar no Algarve, aproveitando um dos pacotes especiais providenciados pelas Pousadas de Portugal, sem que com isso ficasse exausto ou perdesse algumas das maravilhas que estas regiões têm para oferecer.
Obviamente não será possível expor tudo num único artigo, por isso decidi dividir em 3, um por cada dia e por cada Pousada de Portugal por onde pernoitámos.

Espero que goste e se possível, possa partilhar algumas das suas experiências pelos locais pelos quais passámos nesta nossa aventura.

1º Dia – Saída de Lisboa em direcção a Alcácer do Sal

Primeiro que tudo, tínhamos de pegar o carro e para tal escolhemos um cabriolet, pois a ideia era aproveitar o tempo fabuloso que se fazia sentir e apreciar em pleno as paisagens extensas do nosso percurso. Portanto, dirigimo-nos à Avis onde estava reservado e após as formalidades do costume, lá nos fizemos à estrada, com as expectativas bem altas.

A primeira parte do percurso foi até algo ansioso porque queríamos nos afastar o mais rapidamente possível de Lisboa. Com isso não quero dizer que não gostemos da nossa capital, antes pelo contrário, mas a ideia era sair do bulício e abraçar a paz e vastidão de paisagens que nos iriam acompanhar durante estes 3 dias.
Portanto, quando nos vimos na auto-estrada para lá de Santiago do Cacém, já sentíamos uma sensação de prazer e relaxe a invadir-nos ao mesmo tempo que a as várzeas e vales que se assomavam a cada curva nos faziam sentir que estávamos mesmo a entrar no litoral alentejano que tanto ansiávamos.

Aqui abaixo poderás ver o percurso a que nos propusemos.


Ver Mapa Maior

Recomendo vivamente poder viajar pela auto-estrada em direcção ao Sul ao entardecer, pois é quando podemos ver os matizes mais intensos e apreciar melhor a condução sem o calor intenso típico destas paragens.

Pousada D. João II

Também é quando dá mais gozo descer a capota do carro e gozar o ar ainda quente mas sem o escaldão da hora de maior calor. Nem de propósito, penso que foi também a melhor altura para chegar à Pousada de Alcácer do Sal, a Pousada D. João II que se destaca claramente da encosta de Alcácer do Sal, pois é o próprio castelo e antigo convento e vê-la surgir naquele ambiente de final de tarde torna-a ainda mais mágica.
Subimos um percurso estreito, relembro que anteriormente apenas passavam aqui carruagens e cavaleiros, no entanto nem por isso deixa de ser possível qualquer viatura subir ao castelo, desde que não sejam duas ao mesmo tempo.

E que bela visão temos aquando da nossa chegada à entrada principal. Isto porque impressiona de sobremaneira, não tanto pela entrada que foi remodelada para ter um ar mais actualizado, mas sim pelas grossas paredes que sobem desde uns bons metros de encosta até ao pináculo e demonstra claramente porque foi no seu tempo uma fortaleza tão difícil de tomar. Na verdade estas paredes não serão as mesmas que na altura conseguiram rebelar uma armada de Vikings, nem certamente serão as mesmas que recusaram a entrada ao nosso D. Afonso Henriques, mas nem por isso deixam de demonstrar a altivez e a robustez de outrora.

Pousada Alcácer do Sal - D. João II

Logo na nossa chegada, somos agradavelmente surpreendidos por uma pequena tour pela Pousada proporcionada por uma simpática funcionária que se diz apaixonada pela vista mesmo tendo vindo de uma das mais belas regiões do norte de Portugal. E de facto, torna-se imprescindível esta pequena visita dado que de outro modo, dificilmente saberíamos onde estariam locais tão regulares como a sala de pequenos-almoços e o acesso à piscina.

Chegados ao nosso quarto, que se encontra onde noutras épocas deveriam ser as celas dos monges da Ordem de Aracaellí, apesar de nada terem a ver com a dimensão original das mesmas, pois reina o conforto e o bom acesso a todas as divisões, seja do quarto duplo, seja da grande casa de banho.

Pousada Alcácer do Sal - D. João II

Mas um dos pontos altos deste quarto será certamente o pequeno terraço onde na posição onde estávamos daria para ver perfeitamente o nascer do sol e acima de tudo, uma amiga cegonha que manteve um soberbo ninho no campanário da igreja Sta. Maria do Castelo que está muito próxima do quarto. Segundo fomos informados por um simpático funcionário, estas cegonhas não migram para África como outras da espécie, mantendo-se inclusive durante o Inverno. As razões podem ser devido ao aquecimento global ou então prefiro pensar que se apaixonaram por esta região de Alcácer do Sal que sempre foi tão apetecida por tantos povos. Qual é a sua opinião?

Depois de nos refrescarmos decidimos aproveitar a pouca luz do dia que ainda teríamos e investigámos mais do Castelo e arredores. Começámos pela escadaria moderna que no fundo rodeia toda a antiga torre de vigia e parece ser uma forma de lentamente fazermos a nossa introspecção a caminho do piso térreo. Dá quase para imaginar na altura, os clérigos a rezarem o seu terço a caminho do pátio interno onde o silêncio é sublime e transmite uma paz deliciosa.

Pousada Alcácer do Sal - D. João II

Depois fomos directos ver a Igreja interna que ficou transformada em sala de conferências e rapidamente consegui imaginar um evento de carácter mais actual num espaço que conjuga um sentimento histórico com a serenidade religiosa.

  Pousada Alcácer do Sal - D. João II

Mas o ponto alto da nossa pequena incursão foram realmente os jardins, que no final de um dia de calor, conseguiu transmitir aquela sensação de frescura que tanto precisávamos. Os jardins são amplos, cheios de árvores autóctones onde se destaca uma oliveira magnífica que dá toda a sensação de ter presenciado a muita história que tenha passado por aqui.

Também souberam aliar as muralhas centenárias com os aspectos mais modernos de uma utilização mais actual tal como a dupla piscina, uma para adultos e outra para crianças, assim como os balneários e inclusive um pequeno espaço de recreio para as crianças brincarem em toda a segurança.

Em resumo, muito se pode fazer nesta Pousada de Portugal e seguramente será sempre uma viagem bem empregue estar a repousar neste belo monumento histórico.

Alcácer do Sal

Mas não ficámos apenas por aqui e aproveitámos para visitar a bela cidade de Alcácer do Sal, onde o rio Sado ganha protagonismo. Banhada pelas suas águas a construção da cidade é ditada das suas margens até ao cume da encosta do Castelo, assumindo que durante muitos anos o maior “ganha-pão” desta terra terá sido protagonizada pelo rio que corre vagaroso por entre as pontes que ligam as duas margens. E essas duas margens são em si mesmas um caso paradigmático pois de um lado, é indubitavelmente histórico e carregada de peso de eras de eventos que marcaram a vida de inúmeras gentes. Do outro, temos a vontade jovem e moderna da cidade em querer mostrar que ainda está viva e que quer trazer algo de novo à população e a quem a visita.

Tem uma infra-estrutura de lazer e um parque de negócios que faz qualquer um sonhar em mudar de armas e bagagens para estas paragens. Inclusive porque fica colada a uma várzea absolutamente verdejante.

Sem dúvida, gostaremos de voltar a esta terra que nos tocou pela positiva. Mas está na hora de ir jantar e já tínhamos reserva no restaurante da Pousada. Quer nos acompanhar?

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